terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

No fundo, bem no fundo, todo o homem queria ser mulher


No fundo, bem no fundo, todo o homem queria ser mulher, não fossem dois bons motivos para ser homem.
Se fôssemos mulher, além de mais sensibilidade, conseguiríamos, finalmente, fazer mais de uma coisa por vez. Quase impossível imaginar isso. O mais atraente seria, sem dúvidas, ter um par de seios à nossa inteira disposição: diversão garantida. Até porque temos mamilos e não sabemos bem o que fazer com eles.
Mas, falando sério mesmo, teríamos a oportunidade mágica de gerar vida em nossas panças. A mulher com toda essa tecnologia gerativa e nós apenas saco e guampa. Talvez fôssemos mais cuidados e menos afoitos, cuidando mais da vida de uma forma bem mais abrangente.
Agora, não há como negar. Não trocamos todas essas maravilhas, inclusive os par de seios, por duas razões básicas: a primeira é fazer xixi de pé e a segunda é continuar estacionando o carro com maestria. Que orgulho!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

TEXTÍCULOS: Cotidiano: assim na tela como no seu

TEXTÍCULOS: Cotidiano: assim na tela como no seu

Cotidiano: assim na tela como no seu


 BBB e suas implicações.

Depois que virou charme falar mal da programação televisiva, cada vez mais visiva, também se encheu de pruridos para questionar os questionamentos. Sob o pretexto da heresia, ou sob sua tutela, as coisas se repetem cristalizando a moldura dos novos tempos com temas distintos, mas com conceitos pra lá de velhos.
O que incomoda tanto no mais famoso “show real” da nossa Terra Papagallis? Não é muito difícil imaginar, pois os diálogos rasos, conflitos mesquinhos - aliados a mediocridade intelectual ornados por músculos e nádegas – refletem a realidade vivida nas universidades, nos corpinhos dicente e docente, no seio das famílias e suas competições, nas rodas de chimarrão etc... Na política isso é ainda mais parecido. Tramas, movimentos para derrubar ou enviar aos paredões espalhados mundo afora são coisas corriqueiras. Agora, se há esse orgulho do ‘bom gosto’, esse brado retumbante em nome da boa cultura e do pensamento elevado, porque os índices aumentam ainda mais? Quanto mais se fala, mais se vê. Bom, agora muitos irão bradar. “Eu nunca, Eu isso, Eu aquilo”. Mas, cá entre nós, você não se enxerga, de vez em quando, vivendo esses conflitos medíocres? Não? Então você é realmente especial, tão especial que não é desse mundo. Passemos pra outra pauta, essa deu.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Diálogos com dEus - comunicação


- Senhor! A gente trabalha o ano inteiro, dá um duro danado e quando tira uma semaninha de folga o Senhor manda esse chuvaréu?

- Lembras de teu último pedido? Muita chuva pois o rio estava seco.

- Tá, mas isso era no Rio do Sinos, agora tô no Rio de Janeiro, férias, entende?

- Estás vendo? Vocês não sabem pedir e depois põe as culpas em Deus. Tóin!

Palavra da salvação!

Diálogos com dEus - A Praga

- Senhor! Tava pensando. Se eu faço algo que é bom pra mim, mas é ruim pra outra pessoa, eu to fazendo o mal?

- Tecnicamente, sim.

- Então, devo me privar de coisas boas por causa dos outros?

- Filho, tente pensar no bem maior, no bem comum e o mais importante, como seria se fosse o contrário.

- Aham!

- O que é que tu fez desta vez?

- Espiei minha vizinha trocando de roupa.

- Tu vai arder nos quintos dos infernos!!!

Praga da salvação!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Oração a Nossa Senhora de Copacabana

Copacabana 31 dezembro 2011 Foto: Fábio Nagel.
Todos são iguais perante o mar de Copacabana e bem menores do que se imaginam. Ali, diante da majestade, o mundo cresce e as pessoas voltam ao seu estado natural de insignificância. Há, contudo, uma semelhança ou confidência. É como se cada um, fixando o olhar bem fundo sobre o mar que se desdobra se arrependesse um pouco, como se pedisse perdão sem falar, apenas olhando.
Esse olhar o mar, que enche os olhos e dá a quase mesma expressão, comum, tem uma razão. Uma forma de refletir nossa pequenez. Pois, se ele, o mar, se irritasse com nossa mesquinhez, faria, de uma hora pra outra uma onda enorme nos engolir. Não sobraria ninguém pra contar essa história. Por isso, temeroso, me antecipei.
Salve grande mar de Copacabana, eu daqui, do meu canto, te respeito, do meu jeito, com meu medo, com meu peito assim, tremendo e nos olhos uma vontade de chorar por ter tido um dia a pretensão de ser mais do que sou, nada.

Senhora! Rogai por nós.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A moça lê Sartre




The Living Room - 1941/1943



Ela é bonita, séria, muito séria. O rosto quase fechado, não fosse o pouco de dentes que aparecem quando ela entorta a boca. Ela lê Sartre. O Sartre era um cabeção e comia uma cabeçona, que era séria, muito séria. A moça sabe disso. Por isso não sorri? Vai que é?

E eu tô ali, a fim de qualquer coisa. Sabe, assim, dar uns beijos, lamber aqueles dentes que devem ser branquinhos. E, depois, pegar de frente e também por trás.

A gente fala e ela continua ali, com aquela boca torta.

E eu ali, copo na mão, cigarro na outra, trocado enrolado na carteira, querendo me avançar.

- Tu qué um gole? Tá afim dum teco? Me dá um beijo?

Mas, ela não abre. Nem sorriso, nem boca. É séria.

A moça lê Sartre, não ri, não fode nem cheira.